Sempre agia assim. Corria de um lado para o outro, como se dessa forma pudesse encontrar, aos círculos, a resposta pairando pelo cômodo e, como se a pudesse engolir e digerir, ao invés de ruminá-la; ao invés de saboreá-la e chegar ao cerne da questão. Intentava a solução de todos os problemas em vista. Tolo! Era como o chamavam, na maioria das vezes. Para suas dúvidas nunca havia encontrado soluções absolutas. Buscava-as, como quem busca uma nova forma de prazer, mas sabia de antemão que era de sua natureza não se saciar nunca. Por falta de método ou falta mesmo do que fazer, passava suas angústia à limpo, diariamente, nesse vai-e-vem tresloucado, com olhos esgazeados, olhando através do ar, como se fosse possível tragá-lo e acumulá-lo em suas entranhas. Ficava assim, sempre assim. Depois, quando o cansaço vencia, por fim, derrubava-se no chão e adormecia. Tolo! E nem dava por si nesse estado. Apenas adormecia. E esquecia-se de si mesmo todos os dias.
[ José Roldão ]





Perfeito…