Quando eu me sento à janela
P’los vidros qu’a neve embaça
Vejo a doce imagem d’elia
Quando passa… passa…. passa…
Lançou-me a mágoa seu véu:
Menos um ser n’este mundo
E mais um anjo no céu.
Quando eu me sento à janela
P’los vidros qu’a neve embaça
Julgo ver imagem dela
Que já não passa… não passa. (1)
5.5.1902
(1) – João Gaspar Simões aventa que esta poesia escrita por Fernando Pessoa, aos 13 anos, em Durban ou nos Açores por ocasião da viagem então feita à terceira, terá sido inspirada pela morte recente de sua meia-irmã Madalena. Vida e Obra de Fernando Pessoa, ed. Livraria Bertrand, Lisboa, 2ª edição. Sem data, p. 74




