Tenho um choro retido na garganta
Desses que ficam gritando encarcerados
Não cedo as chaves nem descanso os olhos
Que vigiam atentos qualquer tentativa de fuga
Tenho um nó apertado na lembrança
Desses que, se puxam, ficam mais apertados
Não cedo atenção nem dilato os poros
Que engelham a pele sentindo dor alguma
Sinto como se o tempo escoasse
Ralo abaixo de minha vida aberto
Secando toda reserva que em mim exista
Melhor mesmo que seque ‘inda que resista
Assim do cárcere e do laço me liberto
E não haveria dor nem fuga que me alcançasse
[ José Roldão ]




