Muita fumaça entre o por do sol e eu
Ele quase que já se foi
Eu forço a vista como quem range os olhos
Muita fumaça entre o por do sol e eu
As luzes de um avião me encaram
Está escuro aqui
É difícil de me ver escondido dentro de uma janela
Ao horizonte tudo vermelho
O sol fere e sangra a noite que insiste
Todos sabem que não há como vencer
O sol insiste todos os dias
Melhor que os homens
Nós enchemos o céu com fumaça
Depois temos de engelhar o rosto
Mas não mostramos os dentes
Temos culpa espalhada na pele
Temos um sorriso discreto
E um céu da boca carregado
O avião já se foi
Foi difícil de me ver aqui escondido
Uma janela é boa coisa de se ter
Quando se quer ficar oculto
Agora todas as luzes da cidade estão acesas
São como estrelas caídas
Mais estrelas pelas ruas do que no céu
Penduradas em postes
Dentro das casas
Um isqueiro que se acende na esquina
O cigarro numa boca que se distancia
Estrela cadente que vai
Na boca de um homem
Muita fumaça entre o mundo e eu
E a noite venceu mais uma vez
Todos sabem que não há como vencer
Mas o sol insiste todos os dias
Melhor que os homens
[ José Roldão ]





Olá José,
Vi uns comentários seus (antigos) sobre a Rosa Cruz…
Gostaria de trocar uma “idéia” com você se possível!
hugofonteboa@gmail.com
Abraços.