Este vento frio e úmido traz-me saudades das pedras geladas e cobertas de musgos das aldeias de Portugal. Quando eu passava as mãos sobre o verde incrustado por entre as pedras, sentia como se me aplainasse a pele, como se o tempo roçasse devagar brincando com meus poros, estes que me arrepiam agora, neste exato instante, numa prece de retorno.
Lembro-me bem da neblina descolorindo as casas, e gostava de atravessá-la como quem dispensa as pontes, pois aprendeu a voar, assim, de repente, como em uma dança de sonho.
Caíram agora à minha frente, por um fio desenrolado da memória, algumas folhas de eucalipto que lembro ter posto sob o travesseiro para que me purificassem a noite do extremo silêncio da ausência urbana; porém, noite esta, que trazia as conversas de animais obscuros, cortadas ao meio pelo som de uma moto a riscar com as unhas a auto-estrada, desfazendo todo o encanto, para que o silêncio mais uma vez arrebentasse em seguida, numa espécie de ciclo inevitável.
É deste silêncio que escrevo. Um silêncio de saudade relutante, inesquecível.
[ José Roldão ]






Caramba! Você tem o dom de expressar sentimentos através das palavras como poucos! Parabéns!
Paz e Bem!
Adoro esses fragmentos!
Raquel,
Vou lá direto no (Falta de) Inspiração e nada….
Está escrevendo em algum outro local?
Me avise!
Beijos e bons ventos!