Fragmentos de Tempo

Ficcionar é tornar o mundo artisticamente aceitável

Archive for the ‘Literatura Portuguesa’ Category

Gonçalo M. Tavares – Excerto do livro Senhor Brecht

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258833g“Era uma livraria que vendia um único livro. Havia 100 mil exemplares numerados do mesmo livro. Como em qualquer outra livraria os compradores demoravam-se, hesitando no número a escolher”.

(Gonçalo M. TavaresO Senhor Brecht, Editora Casa da Palavra, 1ª Edição)

Escrito por José Roldão

Novembro 28, 2008 em 3:19 pm

Gonçalo M. Tavares – A morte do pai

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1022995_4O pai morreu

   e ele, que era duro, endureceu mais.

Informou da existência do cadáver

   como quem relembra um pormenor.

Amava o pai, mas o coração é assim

(a lei da sobrevivência):

   esconde-se quando o querem matar.

( 1Gonçalo M. Tavares, Editora Bertrand Brasil 2005)

Escrito por José Roldão

Novembro 26, 2008 em 11:45 pm

Gonçalo M. Tavares assina contrato com editora francesa

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Gon�alo M. TavaresParis, 11 Nov (Lusa) – Gonçalo M. Tavares assinou um contrato com a editora francesa Viviane Hamy para a publicação de “sete ou oito livros”, entre os quais “uma tetralogia de romances”, disse o escritor à Lusa.

A editora Viviane Hamy, que publicou o romance “Jerusalém” e “O Senhor Valery”, parece ter uma especial queda para as letras portuguesas ou relacionadas, tendo editado “O incêndio do Chiado”, de François Vallejo, passado na capital portuguesa.

Lisboa, aliás, será o cenário de algumas dessas obras, revelou Gonçalo M. Tavares à Lusa. “Lisboa é uma cidade extraordinária. Tenho um projecto de fazer uma ficção inspirada em Lisboa”, disse o escritor sobre o próximo trabalho que, possivelmente, incluirá também as cidades de Estocolmo, Helsínquia, Nova Iorque e Buenos Aires.

Gonçalo M. Tavares, apontado pela crítica francesa como “a revelação portuguesa”, exprimiu o desejo de falar sobre as suas obras recentemente traduzidas para francês, “Jérusalem” e “O Senhor Valéry”, para dar “a conhecer diferentes mundos e linhas de escrita diferentes”.

LEIA NA ÍNTEGRA AQUI!

O OFÍCIO DA ESCRITA E A VIDA

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Existem diversas explicações para o que seria o ofício de escrever, mas aqui, nesta entrevista com José Saramago, no Jornal de Notícias, encontrei um trecho que me chamou a atenção, justo por conter também um pouco da relação deste ofício com a vida. A analogia é bem interessante.

Então, para si, escrever é um ofício que se confunde com a vida…

A literatura, como trabalho que é, enquanto se pode fazer, faz-se. Acabando-se a vida, acaba-se o trabalho. E, se esse trabalho tem a ver com literatura, é cortado nesse momento. No fundo, é como uma ave que é abatida em pleno voo. Vai voando e julga que vai chegar àquela árvore, onde quer pousar, mas, de repente, há um tiro de um caçador que a deita abaixo. A vida é isto.

Escrito por José Roldão

Novembro 8, 2008 em 12:25 pm

GONÇALO M. TAVARES – UMA VIAGEM A PÉ

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Capa Sr Valéry

O senhor Valéry andava sempre a pé. Muito rápido, com passinhos pequeninos. (Neste particular era parecido com o sr. Sommer, um vizinho).

Um dia o senhor Valéry precisou de se deslocar a um ponto afastado da cidade.

A pé demoraria dez horas. De comboio apenas vinte minutos.

Depois de muito pensar o senhor Valéry decidiu ir a pé. O senhor Valéry explicava:

- Quem me garante que o sítio onde chego após dez horas é o mesmo do que aquele que chego em vinte minutos?

E com mais convicção dizia:

- É evidente que não é o mesmo sítio.

E o senhor Valéry desenhou, então, duas setas de comprimento muito diferente

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E exclamou:

- Só um louco diria que o ponto final das duas setas é o mesmo.

Ganhando balanço o senhor Valéry continuou:

- E mesmo se eu for de comboio e esperar parado, no destino, 9 horas e 40 minutos, esse meu destino não será o mesmo daquele a que eu chego em dez horas de caminho a pé; já que eu estive lá, nesse sítio, mesmo que parado, 9 horas e 40 minutos a modificá-lo.

E começou, então, a andar, pois a decisão estava tomada.

Ao fim de vinte minutos de caminhada o senhor Valéry olhou para o relógio e pensou, de modo algo confuso:

- Se eu me encontrasse já no meu destino, este momento exacto seria o sítio onde eu chegaria.

Olhou à sua volta e disse:

- Porém, este não é ainda o meu destino.

Continuou, assim, a andar.

Mais tarde, contente, exclamou, ainda para si próprio:

- Ainda não cheguei, mas eu vou para outro sítio.

E como faltavam ainda cerca de 9 horas para chegar onde queria, o senhor Valéry continuou a andar, contente e feliz com os seus raciocínios, um pé a seguir ao outro, sempre ao mesmo ritmo, a andar em direcção ao seu destino.

- A mim ninguém me engana – murmurava o senhor Valéry, já a suar muito.

(O Senhor Valéry – Gonçalo M. Tavares)

Escrito por José Roldão

Abril 12, 2008 em 2:30 pm

FERNANDO PESSOA – NUVENS

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“Nuvens… Hoje tenho consciência do céu, pois há dias em que não o olho mas sinto, vivendo na cidade e não na natureza que a inclui. Nuvens… São elas hoje a principal realidade, e preocupam-me como se o velar do céu fosse um dos grandes perigos de meu destino. Nuvens… Passam da barra para o Castelo, de Ocidente para Oriente, num tumulto disperso e despido, branco às vezes, se vão esfarrapadas na vanguarda de não sei o quê; meio-negro outras, se, mais lentas, tardam em ser varridas pelo vento audível; negras de um branco sujo, se, como se quisessem ficar, enegrecem mais da vinda que da sombra o que as ruas abrem de falso espaço entre as linhas fechadoras da casaria”.

(Fernando Pessoa – Livro do Desassossego – por Bernardo Soares)

Escrito por José Roldão

Abril 7, 2008 em 11:43 pm

FERNANDO NAMORA – RETALHOS

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“Há dias em que a melancolia chove dentro de nós como num pátio interior, atapetado de jornais velhos. Não se ouve, não se sente – mas rebrilha na sujidade densa. Eu estava num desses dias quando afastei a cortina e olhei pela janela a tarde que se ofuscara de repente, com pressa de se evadir da atmosfera enfastiada e, sobretudo, de um cenário sem alegria…”. (…)

“Mas em fechando a cortina tudo isso desaparecia: eis-me de novo isolado no gabinete fofo, de paredes que, a partir de certo momento, me davam a sensação irrespirável de uma espessura acolchoada onde tudo ficava retido: a fadiga, o silêncio…

(…)

[Fernando Namora - Retalhos da Vida de Um Médico - Segunda Série - excertos, pág 305; 14ª Edição. Livraria Bertrand]

Escrito por José Roldão

Março 20, 2008 em 2:27 pm

FERNANDO PESSOA – SER POETA

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“Ser poeta não é uma ambição minha

É a minha maneira de estar sozinho”

-

[ Fernando Pessoa - O Guardador de Rebanhos ]

Escrito por José Roldão

Março 19, 2008 em 1:04 am

FERNANDO PESSOA – QUANDO ELA PASSA

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Quando eu me sento à janela

P’los vidros qu’a neve embaça

Vejo a doce imagem d’elia

Quando passa… passa…. passa…

Lançou-me a mágoa seu véu:

Menos um ser n’este mundo

E mais um anjo no céu.

Quando eu me sento à janela

P’los vidros qu’a neve embaça

Julgo ver imagem dela

Que já não passa… não passa. (1)

5.5.1902

(1) – João Gaspar Simões aventa que esta poesia escrita por Fernando Pessoa, aos 13 anos, em Durban ou nos Açores por ocasião da viagem então feita à terceira, terá sido inspirada pela morte recente de sua meia-irmã Madalena. Vida e Obra de Fernando Pessoa, ed. Livraria Bertrand, Lisboa, 2ª edição. Sem data, p. 74

Escrito por José Roldão

Fevereiro 25, 2008 em 12:57 am

fernando pessoa – pré-texto

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“E afinal o que eu quero é fé e calma

E não ter essas sensações confusas

Deus que acabe com isto! Abra as eclusas

E basta de comédias na minh’alma.”

 

[Fernando Pessoa - Opiário]

Escrito por José Roldão

Dezembro 27, 2007 em 12:35 am

Bilhete de Viagem

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“Um homem, entretanto, tinha um bilhete de viagem para a própria alma,
mas desconhecia o local de embarque”

[ Gonçalo M. Tavares ]

Escrito por José Roldão

Setembro 25, 2007 em 2:32 pm

MIGUEL TORGA – ADÁGIO

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“Tão curta a vida e tão comprido o tempo!…

Feliz quem não o sente.

Quem respira tão fundo

O ar do mundo,

Que vive em cada instante eternamente.”

[ Miguel Torga ]

Escrito por José Roldão

Setembro 21, 2007 em 12:24 am

FERNANDO PESSOA – DIZEM QUE FINJO OU MINTO

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pessoa

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é,
Sentir, sinta quem lê!

Escrito por José Roldão

Setembro 13, 2007 em 3:17 am

UM MENINO CHAMADO EU

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sozinho

Era uma vez um menino que se chamava Eu. Sim, é um nome absurdo, mas era esse o seu nome. Crescera no seio de uma família numerosa que se reunia aos domingos sem, no entanto, que os seus nomes fossem esquecidos durante os outros dias da semana. Existia um vínculo invisível que fazia com que estivessem presentes diariamente nas conversas do almoço, nos planos em vista, nos comentários sobre o jogo de sueca do domingo anterior, enfim, era uma verdadeira família, dessas que quase não existem mais nos dias de hoje. Naquela época o menino eu não estava ciente do mundo fora desse círculo familiar, aliás, círculo que viera de outro país, com outra cultura e valores, e que se preservava fechado no mais que pudesse.

Os anos se passaram e o menino cresceu. Não foi possível evitar que ele conhecesse outros, que se apaixonasse ou que mostrasse talentos, nem puderam evitar o pior: que ele crescesse! Só que havia crescido e não encontrava mais a sua família por perto e as outras que encontrava eram muito diferentes da que tivera. O mundo havia mudado sem que ele tivesse percebido, pois ele havia mudado também, direitinho como o mundo havia planejado de antemão. O jovem havia descoberto no mundo umas portas largas e passava uma após a outra. Nem havia prestado a atenção numa portinha pequenininha, que nem parecia porta – jurava que fosse janela! – e que ficava onde suas lágrimas mais tarde começariam, por fim, a cair. Quando o jovem descobriu seu pequeno coração e o viu todo molhado por causa das chuvas choradas de todos os seus dias, decidiu então deixar o tempo que ficou pra trás de verdade, bem para trás; muito mais distante ainda do que possam imaginar, mas tão distante, tão mesmo, que quase não mais se via de tão pontinho que tinha ficado lá na linha fininha do horizonte da sua vida, até então.

Quando descobriu essa portinha pequenininha, o jovem que se chamava Eu saiu por ela e sentou numa calçada de cimento que parecia enorme, bem grandona mesmo, porque ele havia se transformado em um menininho de novo. Pegou um pedacinho de tijolo e começou a desenhar um sol gigante, daqueles com raios todos tortos, um menor que o outro, mas bem bonito – lindo mesmo, só vendo!

Depois, fez uma casa toda quadrada, com duas janelas e uma porta, todas abertas – nem tinha trincos ou fechaduras, porque ele não tinha desenhado nenhum ladrão – e do lado da casinha, que parecia mesmo de tijolos por causa da cor das linhas, fez um menininho de cabeça redonda, com os braços pro alto, com sorriso de meia lua, dois pontinhos de olhos, um risquinho de nariz e mais uns rabiscos de cabelo. Desenhou uma árvore e descobriu que a diferença entre nuvens e copas de árvores é só uma questão de cores, porque desenhava igualzinho, tipo um pompom de algodão.

Quando terminou seu desenho veio uma chuva bonita de verão e cheirosa de terra. Depois, rapidinho, abriu um sol lá longe que nem se pode imaginar! Nem adianta! Era lindo mesmo – muito mais bonito que esse daí que você pensou! – e teve até um arco-íris que parecia uma ponte entre as duas serras. Foi então que o menino percebeu que não havia sido mais aquela sua chuva chorada que tinha caído em seu coraçãozinho, mas uma chuva lá de cima, uma chuva gostosa! Então o menininho abriu os braços e deu um sorriso feliz pro sol que havia voltado!

E quem pôde ver de longe aquilo tudo acontecendo – até lá de muito longe, lá daquele pontinho na linha fininha do horizonte – parecia mesmo que o que se via fosse igualzinho ao desenho que o menino havia feito na calçada. Parecia mesmo! Só vendo…

[ José Roldão ]

Escrito por José Roldão

Setembro 10, 2007 em 3:11 pm

FERNANDO PESSOA – ASSIM COMO AS PALAVRAS…

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Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade.
Mas, como a realidade pensada não é a dita, mas a pensada,
Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada.

Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
O resto é uma espécie de sono que temos,
Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença.

Alberto Caeiro, 1-10-1917

Escrito por José Roldão

Agosto 22, 2007 em 2:46 pm

FERNANDO PESSOA – O GUARDADOR DE REBANHOS

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    [206]

     

    Eu nunca guardei rebanhos,

    Mas é como se os guardasse.

    Minha alma é como um pastor,

    Conhece o vento e o sol

    E anda pela mão das Estações

    A seguir e a olhar.

    Toda a paz da Natureza sem gente

    Vem sentar-se a meu lado.

    Mas eu fico triste como um pôr-de-sol

    Para a nossa imaginação,

    Quando esfria no fundo da planície

    E se sente a noite entrada

    Como uma borboleta pela janela.

    Mas a minha tristeza é sossego

    Porque é natural e justa

    E é o que deve estar na alma

    Quando já pensa que existe

    E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

     

    Como um ruído de chocalhos

    Para além da curva da estrada,

    Os meus pensamentos são contentes.

    Só tenho pena de saber que eles são contentes,

    Porque, se o não soubesse,

    Em vez de serem contentes e tristes,

    Seriam alegres e contentes.

     

    Pensar incomoda como andar à chuva

    Quando o vento cresce e parece que chove mais.

     

     

    Não tenho ambições nem desejos

     

    Ser poeta não é uma ambição minha

    É a minha maneira de estar sozinho.


     

    E se desejo às vezes

    Por imaginar, ser cordeirinho

    (Ou ser o rebanho todo

    Para andar espalhado por toda a encosta

    A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),

    É só porque sinto o que escrevo ao pôr-do-sol,

    Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz

    E corre um silêncio pela erva fora.

     

    Quando me sento a escrever versos

    Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,

    Escrevo versos, num papel que está no meu pensamento

    Sinto um cajado nas mãos

    E vejo um recorte de mim

    No cimo dum outeiro,

    Olhando para o meu rebanho e

    vendo as minhas idéias

    Ou olhando para as minhas idéias

    e vendo o meu rebanho,

    E sorrindo vagamente

    como quem não compreende o que se diz

    E quer fingir que compreende.

     

    Saúdo todos os que me lerem,

    Tirando-lhes o chapéu largo

    Quando me vêem à minha porta

    Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.

    Saúdo-os e desejo-lhes sol,

    E chuva, quando a chuva é precisa,

    E que as suas casas tenham

    Ao pé duma janela aberta

    Uma cadeira predileta

    Onde se sentem, lendo os meus versos.

    E ao lerem os meus versos pensem

    Que sou qualquer cousa natural -

    Por exemplo, a árvore antiga

    À sombra da qual quando crianças

    Se sentavam com um baque, cansados de brincar,

    E limpavam o suor da testa quente

    Com a manga do bibe riscado.


    Fernando Pessoa – O Guardador de Rebanhos

Escrito por José Roldão

Julho 25, 2007 em 3:46 am

Saramago acha que Portugal acabará por tornar-se uma província de Espanha

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O novo país chamar-se-ia Ibéria
15.07.2007 – 10h51

O prémio Nobel português José Saramago prevê, numa entrevista publicada hoje no “Diário de Notícias”, que Portugal vai acabar por tornar-se uma província de Espanha e integrar um país que se chamaria Ibéria para não ofender “os brios” dos portugueses.

O escritor, que reside há 14 anos na ilha espanhola de Lanzarote, considera que Portugal, “com dez milhões de habitantes”, teria “tudo a ganhar em desenvolvimento” se houvesse uma “integração territorial, administrativa e estrutural” com Espanha.

Portugal tornar-se ia assim, sugere o Nobel português, mais uma província de Espanha: “Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla La Mancha e tínhamos Portugal”. “Provavelmente [Espanha] teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria. Se Espanha ofende os nossos brios, era uma questão a negociar”, disse o escritor, membro do Partido Comunista Português desde 1986.

Questionado sobre a possível reacção dos portugueses a esta proposta, Saramago disse acreditar que aceitariam a integração, desde que fosse explicada: “não é uma cedência nem acabar com um país, continuaria de outra maneira. (…) Não se deixaria de falar, de pensar e sentir em português”. Na visão do escritor, Portugal não passaria a ser governado por Espanha, passaria a haver representantes de ambos os países num mesmo parlamento e, tal como acontece com as autonomias espanholas, Portugal teria também o seu próprio parlamento.

Numa entrevista de quatro páginas ao DN, Saramago diz que em Agosto começa a escrever um novo livro e fala também da sua fundação, recentemente constituída, que deverá “intervir social e culturalmente, preocupar-se com o meio ambiente e outras questões”, além de promover o trabalho do escritor.

A Fundação José Saramago, que será presidida pela mulher do escritor, terá sede em Lisboa e prolongamentos em Lanzarote, na terra do escritor, Azinhaga, e na terra de Pilar, Castril.

FONTE: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1299516&idCanal=14

Escrito por José Roldão

Julho 17, 2007 em 2:46 am

Gonçalo M. Tavares honrado por receber prémio com o nome de Camilo Castelo Branco

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Ficamos assim a saber das novidades(?) literárias da terrinha. Gonçalo M. Tavares traz algo de antigo, e o veste de novo. Poderíamos assinalar que na escrita dele nada há de revolucionário, mas quem está em busca de revoluções literárias? Prezo a arte, não aquela técnica e gêneros novos(?) que esperam um dia venha a acontecer. Na verdade, a arte que mais interessa não é aquela que se vê nas folhas de um novo livro, mas aquela que acontece no imaginário de quem lê.

Abaixo colo a notícia; créditos e fonte ao fim da mesma.

………………………………………….

O escritor Gonçalo M. Tavares considerou, em S. Miguel de Seide, Famalicão, uma “honra” receber um prémio com o nome de Camilo Castelo Branco.

Gonçalo Tavares falava no Centro de Estudos Camilianos, na cerimónia de entrega do Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2006, de cinco mil euros, que conquistou com o texto “Água, Cão, Cavalo, Cabeça”.

O presidente da Câmara de Famalicão, Armindo Costa, considerou Gonçalo Tavares “um dos escritores mais originais da literatura portuguesa contemporânea”, sublinhando que “os críticos literários já o definem como um dos grandes poetas do século XXI”.

“Gonçalo Tavares é, acima de tudo, um homem da comunicação, da literatura, da escrita. Felicito-o pela sua obra literária, que divulga e dignifica a língua portuguesa, a língua de Camões, de Pessoa e de Camilo”, salientou Armindo Costa.

O autarca realçou que o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, patrocinado pela Câmara de Famalicão, é fruto de uma parceria com a Associação Portuguesa de Escritores (APE) que “já dura há 16 anos”.

Mário de Carvalho, Teresa Veiga, Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa, Maria Judite de Carvalho, Miguel Miranda, Luísa Costa Gomes, José Jorge Letria, José Eduardo Agualusa, José Viale Moutinho, António Mega Ferreira, Teolinda Gersão, Urbano Tavares Rodrigues, Manuel Jorge Marmelo e Paulo Kellerman foram os vencedores das primeiras 15 edições do prémio.

Nascido em 1970, Gonçalo M. Tavares é um dos escritores portugueses com maior ritmo de publicação de livros, desde Dezembro de 2001, data da sua primeira obra, “Livro da Dança”.

O autor já venceu também o Prémio Branquinho da Fonseca, da Fundação Calouste Gulbenkian e do jornal Expresso, com a obra “O Senhor Valéry”, o Prémio Revelação de Poesia da APE, com “Investigações Novalis”, e o Prémio Literário Ler Millenium/BCP 2004, com o romance “Jerusalém”.

FONTE: http://www.rtp.pt/index.php?article=290011&visual=16&rss=0

© 2007 LUSA – Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2007-07-09 19:10:01

Escrito por José Roldão

Julho 17, 2007 em 1:18 am