Disse a minha mãe, agora ao almoço — Lembro-me perfeitamente do gosto de um queijo que eu comi há quarenta anos na Igreja então passei a lembrar dos gostos e cheiros que também guardo perfeitamente, dos quais basta uma palavra para que retornem ao nariz e à boca, ela continua — Era um queijo que [...]
Arquivos para a Categoria ‘Narrativas’
Do tamanho e do peso das coisas
Posted in Absurdos, Crônicas, Diário Fantástico, Filosofia, José Roldão, Literatura, Literatura Portuguesa, Narrativas, Relatos on Março 27, 2010 | Deixar um Comentário »
Matei o meu marido sim senhor
Posted in Contos, José Roldão, Literatura, Literatura Portuguesa, morte, Narrativas on Março 27, 2010 | Deixar um Comentário »
Matei o meu marido sim senhor, e daí? Andava já ressequida pela vida, abandonada junto aos móveis da casa e (casa? isto não se parece com uma) já não esperava nada de ti Pedro Afonso, nada, pois só ouvia-te a chamar-me pelo nome quando chegavas bêbado já tarde da noite e não era bem tu [...]
Manual da Madrugada
Posted in Fragmentos, José Roldão, Literatura, Literatura Portuguesa, Narrativas, Relatos, Solidão on Dezembro 8, 2009 | Deixar um Comentário »
Sozinho, durante a madrugada, olhando as casas e as ruas da minha janela, eu fico imaginando as pessoas dormindo. Olho para os postes, pontos de luz que deixam os caminhos em sépia (…) Continue lendo…
Um sonho ao passado
Posted in Diário Fantástico, Fragmentos, José Roldão, Literatura, Literatura Portuguesa, Narrativas, Relatos on Dezembro 8, 2009 | Deixar um Comentário »
Ando cá fechado em minha torre, meio isolado do mundo em um momento de transição, daqueles em que são estendidas no varal notas de solidão querida, desejada, como se a única coisa que importasse fosse ruminar a vida em silêncio. Há roupa para lavar, mas finjo que me esqueço; há-de haver um tempo certo para [...]
O acorde desta canção que é a vida
Posted in Alvarenga, Contos, Diário Fantástico, Fragmentos, José Roldão, Literatura, Literatura Portuguesa, Narrativas, Relatos on Dezembro 8, 2009 | Deixar um Comentário »
Chegar à aldeia (capital do mundo) e encontrar os amigos enevoados por causa do tempo e da distância, desanuviar as feições, forçar a rouquidão que é a rusga da pressa no falar e logo todas as vozes em uníssono saindo pela boca do Miguel — Parece que foi ontem, pá enquanto o outro que leva [...]
Do que tratam estes latidos todos?
Posted in Blogs, Crônicas, Diário Fantástico, José Roldão, Literatura, Narrativas, Relatos, Solidão on Dezembro 8, 2009 | Deixar um Comentário »
Acho que os cães entediam-se em certas madrugadas e põem-se a latir, resmungando para outros cães. Pode ser que exista uma linguagem (de certo que há) e percebo que eles se comunicam a outros mais distantes (ou se desentendem?) em alguma disputa indecifrável para nós, humanos. Estão lá os cães a latir… Continue lendo…
Todos os anos de uma só vez a cair
Posted in José Roldão, Literatura, morte, Narrativas, Relatos, Solidão, com etiqueta agulhas, choro, chuva, doença, falecimento, filha, hospital, Maca, mãe, mãos, médicos, Memória, mongolismo, morte, nebulizador, olhos, Solidão, sozinha on Julho 11, 2009 | Deixar um Comentário »
— O que importa o lugar, Dane-se! Cale-se!, pois trago todo o peso do mundo comigo, minha filha está morta, se fosse viva dois mundos apoiavam-se em meus ombros mais a minha filhinha a bater-me, a gritar-me, jogando coisas e deixando marcas de suor nas paredes, os dedos dela a perfurarem o abdômen ferido e [...]
As tardes de Nuno Mendes
Posted in Contos, José Roldão, Literatura, Narrativas, Romance, Solidão, com etiqueta Biografia, Família, Ficção, Infantil, Nuno Mendes, Tardes on Novembro 30, 2008 | 1 Comentário »
Nuno passava as tardes brincando quieto, em silêncio. Seus pais sempre dormiam após o almoço e ele ficava sozinho pela casa imensa. Quando somos pequenos todas as coisas parecem enormes. Ou será que vão encolhendo na medida em que crescemos? É de conhecimento público que nós é que crescemos, e na proporção em que isso [...]
Gonçalo M. Tavares – Excerto do livro Senhor Brecht
Posted in De Outros Autores, Fragmentos, Gonçalo M. Tavares, Literatura, Literatura Portuguesa, Narrativas, com etiqueta Brecht, Casa da Palavra, Gonçalo M. Tavares, Livro, O Bairro, Senhor Brecht on Novembro 28, 2008 | 3 Comentários »
“Era uma livraria que vendia um único livro. Havia 100 mil exemplares numerados do mesmo livro. Como em qualquer outra livraria os compradores demoravam-se, hesitando no número a escolher”. (Gonçalo M. Tavares – O Senhor Brecht, Editora Casa da Palavra, 1ª Edição)
A sombra
Posted in Contos, Diário Fantástico, José Roldão, Literatura, Narrativas, Relatos, Solidão, com etiqueta fuga, luz, mão, mesa, sombra, tabaco on Novembro 23, 2008 | 1 Comentário »
Uma insignificante sombra pousou sobre a mesa cor de tabaco. Quase não pude perceber a nuance, uma gradiente, que saltava de um lado para o outro, fugindo sistematicamente da minha mão incansável. Mentira. Cansava-se ao mesmo tempo em que meu braço: descansavam juntos, em uma trégua amigável e sem receios de que qualquer um dos [...]
Memórias da infância dos outros
Posted in Crônicas, Diário Fantástico, José Roldão, Literatura, Narrativas, Relatos, Solidão, com etiqueta Aniversário, Ilha, infância, Mar, Memórias, Navio, Os Outros, Recordações, Solidão on Novembro 14, 2008 | 3 Comentários »
Todos estavam reunidos no quarto-sala: aniversário. Como em toda reunião em que já não se tem muito o que dizer, logo iniciam-se as recordações de aventuras do tempo de criança. O mais curioso é que são contadas as mesmas histórias, sempre. Escangalhavam-se de rir… Eu, sentado ao chão, prestando certa atenção dividida para ver se [...]
A mulher não está morta
Posted in Crônicas, Diário Fantástico, José Roldão, Literatura, morte, Narrativas, Notícias, Relatos, Solidão, com etiqueta Mal de Alzheimer, morte, Solidão, UTI, Vizinha on Novembro 14, 2008 | Deixar um Comentário »
E o silêncio rompeu-se: foi levada para a UTI. Não se sabe se de lá retorna (e por isso julgo aquelas cenas de morte previamente anunciada, sentida), mas bem pode ser, quem sabe? Minha mãe, ao telefone internacional, disse-me: «Eu estava já tão triste! Na UTI, mesmo que mal, ainda há esperança…». A vizinha contou-me: [...]
A MULHER ESTÁ MORTA
Posted in Diário Fantástico, Relatos, Crônicas, Literatura, Fragmentos, José Roldão, Narrativas, morte, Solidão, com etiqueta Solidão, morte, Vazio, Mulher, Vizinha, Ambulância, Maca, Enfermeiros on Novembro 9, 2008 | 2 Comentários »
Esta semana olhei pela janela de manhã e vi que uma ambulância estava parada à porta da casa do outro lado da rua. Eu sabia de antemão que a mulher estava doente e já não reconhecia aos amigos. Não houve suspense, apenas a constatação serena dos fatos. Um assistente pegou uma maca e a levou [...]
UM SILÊNCIO DE SAUDADE RELUTANTE
Posted in Alvarenga, Diário Fantástico, José Roldão, Literatura, Narrativas, Relatos, com etiqueta Alvarenga, Frio, José Roldão, Memórias, Musgo, Pedras, Relutante, Saudade, silêncio, Solidão on Outubro 8, 2008 | 3 Comentários »
Este vento frio e úmido traz-me saudades das pedras geladas e cobertas de musgos das aldeias de Portugal. Quando eu passava as mãos sobre o verde incrustado por entre as pedras, sentia como se me aplainasse a pele, como se o tempo roçasse devagar brincando com meus poros, estes que me arrepiam agora, neste exato [...]
PEDRO E SÍSIFO
Posted in Contos, José Roldão, Literatura, Narrativas, com etiqueta Cicatrizes, Feridas, Insistência, Muro, Pedra, Pedro, Sísifo on Setembro 21, 2008 | 1 Comentário »
Pedro insistia em bater com sua cabeça na parede, ou melhor, no muro à sua frente. Pedro, que aqui quer dizer também ‘pedra’, era insistente, porém o muro resistia. E ficava ali: batendo e se machucando, ferindo o rosto e reabrindo as feridas de outros dias. Algumas vezes identificava-se com Sísifo, mas o tempo passava… [...]
A Total Autoconfiança é Uma Fraqueza
Posted in Chesterton, De Outros Autores, Filosofia, Fragmentos, Literatura, Literatura Inglesa, Narrativas, Relatos, com etiqueta Acreditar em si mesmo, Autoconfiança, Chesterton, Filosofia, Loucos, Ortodoxia on Agosto 8, 2008 | 1 Comentário »
II – O MANÍACO «Pessoas completamente mundanas nunca entendem sequer o mundo; elas confiam plenamente numas poucas máximas cínicas não verdadeiras. Lembro-me de que, certa vez, fiz um passeio com um editor de sucesso, e ele fez uma observação que eu ouvira muitas vezes antes; é, na verdade, quase um lema do mundo moderno. Todavia, [...]
Noite Clássica
Posted in Diário Fantástico, José Roldão, Literatura, Narrativas, Relatos, com etiqueta Carros, Energia Elétrica, Falta de Luz, Fantasmas, Faróis, Janelas, Modernistas, noite, Rodovia on Agosto 5, 2008 | 1 Comentário »
Uma conhecida sensação tediosa invadiu este cômodo. De repente, eis que falta eletricidade. Olho da janela, que recosta do meu lado esquerdo, e vejo tudo escuro até onde a vista alcança. Em menos de um minuto, retorna a eletricidade (onde andavas? onde fostes?). Sim, retorna aqui em casa, pois, lá fora (a janela informa-me, cutuca-me), [...]
Camus – Sobre os Mortos Semeados na História
Posted in Albert Camus, De Outros Autores, Fragmentos, Literatura, Literatura Francesa, Narrativas, Romance, com etiqueta A Peste, Albert Camus, Cadáveres, Corpos, Mortos, Significado on Agosto 1, 2008 | Deixar um Comentário »
«Flutuavam números na sua memória e dizia a si próprio que umas três dezenas de pestes que a história conheceu tinham feito perto de cem milhões de mortos. Mas que são cem milhões de mortos? Quando se faz a guerra, já é muito saber o que é um morto. E já que um homem morto [...]
Platero e Eu – O Menino e a Fonte
Posted in De Outros Autores, Fragmentos, Juan Ramón Jiménez, Literatura, Literatura Espanhola, Narrativas, Relatos, Romance, Traduções, com etiqueta Alma, Água, Fonte, Juan Ramón Jiménez, menino, Platero e Eu, sol, vento on Agosto 1, 2008 | Deixar um Comentário »
«Na aridez abrasada de sol do grande lago poeirento que, por mais leve que se pise, cobre a gente, até os olhos, de branca poeira peneirada, o menino e a fonte formam um grupo risonho e esplêndido, cada qual com a sua alma. Embora ali não haja uma única árvore, o coração, em chegando, se [...]
As Tardes de Nuno Mendes
Posted in Contos, Fragmentos, José Roldão, Literatura, Narrativas, Romance, com etiqueta Contos, infância, José Roldão, Medida das Coisas, Nuno Mendes, Tamanhos on Julho 30, 2008 | 2 Comentários »
Nuno passava as tardes brincando quieto, em silêncio. Seus pais sempre dormiam após o almoço e ele ficava sozinho pela casa imensa. Quando somos pequenos todas as coisas parecem enormes. Ou será que vão encolhendo na medida em que crescemos? É de conhecimento público que nós é que crescemos, e na medida em que isso [...]
Os Livros e a Viagem
Posted in Contos, Diário Fantástico, José Roldão, Literatura, Narrativas, Relatos, com etiqueta José Roldão, Livros, Passado, Presente, Ser, tempo, Viagem on Julho 29, 2008 | Deixar um Comentário »
Estava agora, neste instante (e não escrevo no passado, mas sim neste eterno presente), observando os livros em minha frente. Vertiginosamente atacaram-me pensamentos não tão absurdos quanto os que me acometem em sonhos – e o leitor deve acreditar que meus sonhos são mundos completos, inclusivos, e podem tanto alegrar quanto me agarrar em seus [...]
Banho, Chuva e Café na Janela
Posted in Contos, José Roldão, Literatura, Narrativas, com etiqueta Banho, Café, chuva, Janela, José Roldão, Pontes, Rotinas on Julho 29, 2008 | Deixar um Comentário »
Fim de tarde. A chave gira na fechadura. Chega a casa após mais um dia de trabalho e não pensa em outra coisa a não ser o banho. Depois: um café na janela. Sempre preferiu os dias chuvosos, aquela chuvinha fina que não passa. O banho. Sente a água morna cair sobre a cabeça e faz [...]
Albert Camus – Sobre o Exílio
Posted in Albert Camus, De Outros Autores, Fragmentos, Literatura, Literatura Francesa, Narrativas, Romance, com etiqueta A Peste, Albert Camus, Emoções, Exílio, Isolamento, Memória, Vazio on Julho 27, 2008 | 1 Comentário »
«Sim, era realmente o sentimento do exílio esse vazio que trazíamos constantemente em nós, essa emoção precisa, o desejo irracional de voltar atrás ou pelo contrário, de acelerar a marcha do tempo, essas flechas ardentes da memória» «Experimentava assim o sofrimento profundo de todos os prisioneiros e de todos os exilados, ou seja, viver com [...]
Confissões: Vergonha do Pão Com Manteiga na Escola
Posted in Absurdos, Crônicas, José Roldão, Narrativas, Relatos, com etiqueta Confissões, Escola, infância, Pão com Manteiga, Ridícularidades, Vergonha on Julho 25, 2008 | 2 Comentários »
HOJE, lembrei-me de uma coisa ridícula: vergonha de pão com manteiga, embrulhado em papel de padaria. Estudei por dez anos em uma escola classe média-alta, a mais cotada daquela época. Uma escola católica, método franciscano de ensino, com as adicionais aulas de religião, música, coral, artes e educação para o lar, isto é, aulas de [...]
PLANÍCIES
Posted in José Roldão, Literatura, Narrativas, com etiqueta criação, escrever, Escritor, Planícies, Solidão on Julho 6, 2008 | 5 Comentários »
Planícies. Cúmulo do estar sozinho. Existe maior sentimento de solidão do que estar em meio à planície? Todos os lados são paredes móveis de vento; é onde o céu adquire seu maior peso. Ao mesmo tempo, não existe céu mais belo, nem sol tão visível, nem lua mais presente, nem nuvens mais deslumbrantes. Pode-se imaginar [...]




