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Archive for Outubro, 2006

Rastros de Sentidos

mulherm.jpg

um perfume discreto
uma nuvem que se perde
um olhar repetido
uma sombra de mistério
um toque sem sentido
uma noite que se pede

de uma para mais
a cada açoite com o olhar
a cada dado divido é
uma sombra que se faz
afogar em rastros de sentidos

um silêncio discreto
uma parada na esquina
um passo dado no escuro
uma pegada perdida
um sigiloso não saber
momento que aproxima

de mais para mais
a cada acordo não firmado
a cada beijo desprendido
uma história se desfaz
e quem tiver se descuidado
perde por não ter acontecido.

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O Encontro

dietrich_rumipeq1.jpg

cantei no alto da serra

e espalhei em quatro direções

a poeira que trazia em meus olhos

e vi que do alto

lá de cima do verde

o mundo ondula ao bater do colibri

sibila na casca do besouro

e range os dentes na velha tora de madeira

que parece um cavalo perdido no tempo

também fiquei sem meus ponteiros

nem lembro dos meus pulsos

só me recordo do vento que fazia

escala em minha pele e contornava meus cabelos

mas logo depois

assim meio perdido

parei porque meus olhos ficaram a oeste

o sol se despedia de minha mão que açoitava o ar

meus movimentos eram de adeus

mas minha quietude respirava a boa tarde

(eu esperava o azul néon,

aquela cor que antecede a noite)

meus movimentos cessaram

minha respiração silenciou

meus cabelos sossegaram

meus olhos se desprendiam e

meio tontos meio loucos

perdiam-se em outras direções

parei

(pudera,

tudo ao meu redor havia parado)

percebi algo ao meu lado

que veio e que se sentou quieto

ouvi sua respiração

não ousei me virar até que um sussurro

chegou aos meus ouvidos

(que eu já não sabia onde andavam)

e não entendi o que não era pra entender

não fiz o que não devia fazer

e assim

(nesta hora o néon já se havia apagado)

a escuridão me envolveu e eu girei

rodopiei porque não sabia onde estava a serra

e uma pausa chegou

vi-me sozinho vagando pelo topo

e meu olhar procurava o norte

desci sem lembrar de meus passos

e ao chegar no chão frio e duro

um carro passa e me oferece carona

quem o conduzia sussurrou:

– tenha uma boa viagem, apenas começamos…

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O Relógio

chama1peq.jpg

Contando tempo
perdi-me nos poucos dedos que tenho.
Desgastei os ponteiros que assinalavam pontos
na pequena peça presa ao meu pulso.
E no mostrador, vazio de horas e minutos,
restou apenas o que marca segundo a segundo
e percebi que o tempo não apenas passa…
Mas sim, corre!
Como se buscasse a presa,
Como se o dono do pulso fosse a caça,
E o relógio uma face da morte.

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Marcapasso

pegadas4.jpg

Acreditava mesmo que o vento frio – que me entrecortava a face – passaria sem deixar vestígios. Tolo engano! Olhei para trás e lá estavam as pegadas, bem sulcadas na neve. Foi então que me surgiu a idéia estupenda de alterar o cenário: ao invés da neve, areia de praia!

E assim fiz!

Que maravilha! Não mais importava se o vento era de verão ou inverno, bastava apenas que ventasse. Desde então, não deixo mais as minhas pegadas para trás. Agora eu as trago comigo, apenas um par delas, pois que estas me bastam.

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Chuva Fina

chuva-thumb.jpg

abri a janela do quarto antes de deitar
a chuva fina e paciente tremia as luzes
grandes de perto, pequenas ao longe
no bairro de minha paisagem noturna
uma nuvem já tão grande chorando

cada ponto aceso no vazio silêncio das ruas
um radio que toca em algum lugar distante
a chuva fina cobrindo o som que vai e vem
no varal do vento que quase não sopra
eu na janela e aquele cheiro molhado balançando…

a solidão do mundo
e o mundo todo era meu.

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“Objetivos são sonhos com prazo definido”.

 

(Anthony Robbin)

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