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Archive for Março, 2008

Turba-me a vista aquela paisagem

Há tanto guardada na arca da memória

Não foi bastante aquele dilúvio

Pois, de par e par, todos os meus instintos

Fechados comigo sofrendo a tempestade

Debateram-se nas histórias, sem escrúpulos

Algumas – invenções à flor-da-pele

Outras – memórias, realidades; quase nada

Por quarenta dias, arderam-me absurdos

Por quarenta noites, fingi que sonhava alucinado

Com quem aperta os olhos em apuros

Tendo por dentro o coração convulsionado

[ José Roldão ]

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“Há dias em que a melancolia chove dentro de nós como num pátio interior, atapetado de jornais velhos. Não se ouve, não se sente – mas rebrilha na sujidade densa. Eu estava num desses dias quando afastei a cortina e olhei pela janela a tarde que se ofuscara de repente, com pressa de se evadir da atmosfera enfastiada e, sobretudo, de um cenário sem alegria…”. (…)

“Mas em fechando a cortina tudo isso desaparecia: eis-me de novo isolado no gabinete fofo, de paredes que, a partir de certo momento, me davam a sensação irrespirável de uma espessura acolchoada onde tudo ficava retido: a fadiga, o silêncio…

(…)

[Fernando Namora – Retalhos da Vida de Um Médico – Segunda Série – excertos, pág 305; 14ª Edição. Livraria Bertrand]

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“Ser poeta não é uma ambição minha

É a minha maneira de estar sozinho”

[ Fernando Pessoa – O Guardador de Rebanhos ]

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Estou com mais um blog, chamado: CIDADE SOLITÁRIA, neste link:

http://jroldao.wordpress.com/

O título, como alguns devem perceber, é inspirado na obra do escritor-médico-português Fernando Namora; uma coleção de narrativas que tem o mesmo nome. Aliás, Fernando Namora é um de meus autores preferidíssimos.

Qual o motivo para criar outro blog? Não sei mesmo porque, mas o Fragmentos de Tempo sempre me aprisiona para determinados assuntos. Tipo, não consigo publicar aqui – trava-me as mãos e os olhos – determinadas coisas; quase sempre coisas que sejam mais pessoais e diretas, opiniões minhas e observações cotidianas. No novo blog pretendo justamente me expor mais – sem, no entanto, descobrir-me muito – e publicar percepções mais cruas e diretas que possam ocorrer em meu cotidiano.

Certamente – muito, muito certamente mesmo (aliás, já ocorreu no primeiro relato) – é impossível pra mim não ficcionalizar algumas coisas, mesmo as mais triviais. Não sei se isso é dom ou cadeia invisível, mas até que me dá bastante prazer realizar tais distorções ou reparos.

Convido-os todos a assinarem o Cidade Solitária, seja para receberem via email ou RSS, e os aguardo com muita alegria nas visitas constantes que possam me conceder!

Bons Ventos!

José Roldão

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