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Archive for Dezembro, 2009

Meu pai ensinou-me a jogar damas quando eu era ainda bem pequeno. Ganhou todas as partidas por anos a fio. Fui crescendo; no entanto não o vencia. Fiquei tão bom no jogo de damas que ninguém da minha rua queria mais jogar comigo, pois ganhava a todos. Só ao meu pai que não.

Certa noite, depois de jantarmos, ainda na copa

— Anda cá rapaz, vamos ver se me ganhas

Minha mãe lavava a louça na cozinha ao lado e o meu irmão com ela (…)

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Sozinho, durante a madrugada, olhando as casas e as ruas da minha janela, eu fico imaginando as pessoas dormindo. Olho para os postes, pontos de luz que deixam os caminhos em sépia (…)

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Ando cá fechado em minha torre, meio isolado do mundo em um momento de transição, daqueles em que são estendidas no varal notas de solidão querida, desejada, como se a única coisa que importasse fosse ruminar a vida em silêncio.

Há roupa para lavar, mas finjo que me esqueço; há-de haver um tempo certo para cada coisa, um momento específico, exato, então passo os dias tentando alcançá-lo, ruminando, e lembrei-me do sonho que tive faz algumas semanas, um sonho bom nas formas, nos cheiros, nas lembranças. E talvez ruminar a vida seja isto.

Voltava ao tempo de minha adolescência, mas era a consciência e a minha forma de hoje que lá estavam; ali ao lado (…)

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Chegar à aldeia (capital do mundo) e encontrar os amigos enevoados por causa do tempo e da distância, desanuviar as feições, forçar a rouquidão que é a rusga da pressa no falar e logo todas as vozes em uníssono saindo pela boca do Miguel

— Parece que foi ontem, pá

enquanto o outro que leva o mesmo nome que eu

— Pega o violão que já perdemos foi tempo

e que é fruto da mesma infância que a minha (apenas dos domingos na casa da tia Celeste, o que é quase o mesmo) a abrir os ouvidos ao passado, os acordes que ainda ecoavam pelas ruas de Trancoso

— Lembras-te?

(…)

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Acho que os cães entediam-se em certas madrugadas e põem-se a latir, resmungando para outros cães. Pode ser que exista uma linguagem (de certo que há) e percebo que eles se comunicam a outros mais distantes (ou se desentendem?) em alguma disputa indecifrável para nós, humanos.

Estão lá os cães a latir…

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