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Archive for the ‘Frases’ Category

Um carro atravessa a rodovia e

dispara feito flexa no alvo da noite…

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“Um homem, entretanto, tinha um bilhete de viagem para a própria alma,
mas desconhecia o local de embarque”

[ Gonçalo M. Tavares ]

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500458484_5a721349eb “(A noite desce, e a lua brilha lá no fundo, engrinaldada de estrelas andarengas. Silêncio! Pelos caminhos, a vida, a vida se dilui na distância. Do poço escapa a alma das profundezas. Por ele se vê como que o outro lado do poente. E parece que de seu bojo vai sair o gigante da noite, senhor de todos os enigmas do mundo. Ó labirinto fantástico e silente, umbroso e perfumado parque, salão mágico e encantado!)

– Platero, se um dia eu me jogar neste poço, não será para matar-me, podes estar certo, mas sim para apanhar mais depressa as estrelas”.

Juan Ramón Jiménez – Trecho de “O Poço”, da obra “Platero e Eu”.

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A poesia tem o poder de contar ao leitor não apenas aquilo que ele pensa de si mesmo, mas até mesmo o que deixou de pensar por não sabê-lo. Pode ser também a maior de todas as vigílias – ou, quem sabe, o quase infinito da multiplicação de todas elas, mesmo dos seres que nunca acordaram. Dormir, acordar… A consciência não cede à exclusividade dos olhos, mas bem que pode enamorá-los…

Para mim,

A poesia é um sonhar por escrito.

Perde-se o tempo quando se está a escrever, e se o reencontramos foi porque a poesia findou. Afinal, os ponteiros do relógio na parede só parecem estar se movendo quando reparamos neles.

[ José Roldão ]

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    [206]

     

    Eu nunca guardei rebanhos,

    Mas é como se os guardasse.

    Minha alma é como um pastor,

    Conhece o vento e o sol

    E anda pela mão das Estações

    A seguir e a olhar.

    Toda a paz da Natureza sem gente

    Vem sentar-se a meu lado.

    Mas eu fico triste como um pôr-de-sol

    Para a nossa imaginação,

    Quando esfria no fundo da planície

    E se sente a noite entrada

    Como uma borboleta pela janela.

    Mas a minha tristeza é sossego

    Porque é natural e justa

    E é o que deve estar na alma

    Quando já pensa que existe

    E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

     

    Como um ruído de chocalhos

    Para além da curva da estrada,

    Os meus pensamentos são contentes.

    Só tenho pena de saber que eles são contentes,

    Porque, se o não soubesse,

    Em vez de serem contentes e tristes,

    Seriam alegres e contentes.

     

    Pensar incomoda como andar à chuva

    Quando o vento cresce e parece que chove mais.

     

     

    Não tenho ambições nem desejos

     

    Ser poeta não é uma ambição minha

    É a minha maneira de estar sozinho.


     

    E se desejo às vezes

    Por imaginar, ser cordeirinho

    (Ou ser o rebanho todo

    Para andar espalhado por toda a encosta

    A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),

    É só porque sinto o que escrevo ao pôr-do-sol,

    Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz

    E corre um silêncio pela erva fora.

     

    Quando me sento a escrever versos

    Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,

    Escrevo versos, num papel que está no meu pensamento

    Sinto um cajado nas mãos

    E vejo um recorte de mim

    No cimo dum outeiro,

    Olhando para o meu rebanho e

    vendo as minhas idéias

    Ou olhando para as minhas idéias

    e vendo o meu rebanho,

    E sorrindo vagamente

    como quem não compreende o que se diz

    E quer fingir que compreende.

     

    Saúdo todos os que me lerem,

    Tirando-lhes o chapéu largo

    Quando me vêem à minha porta

    Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.

    Saúdo-os e desejo-lhes sol,

    E chuva, quando a chuva é precisa,

    E que as suas casas tenham

    Ao pé duma janela aberta

    Uma cadeira predileta

    Onde se sentem, lendo os meus versos.

    E ao lerem os meus versos pensem

    Que sou qualquer cousa natural –

    Por exemplo, a árvore antiga

    À sombra da qual quando crianças

    Se sentavam com um baque, cansados de brincar,

    E limpavam o suor da testa quente

    Com a manga do bibe riscado.


    Fernando Pessoa – O Guardador de Rebanhos

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Fundo do Poço

 

“Quem chega no fundo do poço precisa lembrar que o fundo é o melhor lugar do poço para se tomar impulso.”
(Eduardo Marinho)

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“Objetivos são sonhos com prazo definido”.

 

(Anthony Robbin)

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