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Archive for the ‘Gonçalo M. Tavares’ Category

258833g“Era uma livraria que vendia um único livro. Havia 100 mil exemplares numerados do mesmo livro. Como em qualquer outra livraria os compradores demoravam-se, hesitando no número a escolher”.

(Gonçalo M. TavaresO Senhor Brecht, Editora Casa da Palavra, 1ª Edição)

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1022995_4O pai morreu

   e ele, que era duro, endureceu mais.

Informou da existência do cadáver

   como quem relembra um pormenor.

Amava o pai, mas o coração é assim

(a lei da sobrevivência):

   esconde-se quando o querem matar.

( 1Gonçalo M. Tavares, Editora Bertrand Brasil 2005)

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Gon�alo M. TavaresParis, 11 Nov (Lusa) – Gonçalo M. Tavares assinou um contrato com a editora francesa Viviane Hamy para a publicação de “sete ou oito livros”, entre os quais “uma tetralogia de romances”, disse o escritor à Lusa.

A editora Viviane Hamy, que publicou o romance “Jerusalém” e “O Senhor Valery”, parece ter uma especial queda para as letras portuguesas ou relacionadas, tendo editado “O incêndio do Chiado”, de François Vallejo, passado na capital portuguesa.

Lisboa, aliás, será o cenário de algumas dessas obras, revelou Gonçalo M. Tavares à Lusa. “Lisboa é uma cidade extraordinária. Tenho um projecto de fazer uma ficção inspirada em Lisboa”, disse o escritor sobre o próximo trabalho que, possivelmente, incluirá também as cidades de Estocolmo, Helsínquia, Nova Iorque e Buenos Aires.

Gonçalo M. Tavares, apontado pela crítica francesa como “a revelação portuguesa”, exprimiu o desejo de falar sobre as suas obras recentemente traduzidas para francês, “Jérusalem” e “O Senhor Valéry”, para dar “a conhecer diferentes mundos e linhas de escrita diferentes”.

LEIA NA ÍNTEGRA AQUI!

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Capa Sr Valéry

O senhor Valéry andava sempre a pé. Muito rápido, com passinhos pequeninos. (Neste particular era parecido com o sr. Sommer, um vizinho).

Um dia o senhor Valéry precisou de se deslocar a um ponto afastado da cidade.

A pé demoraria dez horas. De comboio apenas vinte minutos.

Depois de muito pensar o senhor Valéry decidiu ir a pé. O senhor Valéry explicava:

– Quem me garante que o sítio onde chego após dez horas é o mesmo do que aquele que chego em vinte minutos?

E com mais convicção dizia:

– É evidente que não é o mesmo sítio.

E o senhor Valéry desenhou, então, duas setas de comprimento muito diferente

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E exclamou:

– Só um louco diria que o ponto final das duas setas é o mesmo.

Ganhando balanço o senhor Valéry continuou:

– E mesmo se eu for de comboio e esperar parado, no destino, 9 horas e 40 minutos, esse meu destino não será o mesmo daquele a que eu chego em dez horas de caminho a pé; já que eu estive lá, nesse sítio, mesmo que parado, 9 horas e 40 minutos a modificá-lo.

E começou, então, a andar, pois a decisão estava tomada.

Ao fim de vinte minutos de caminhada o senhor Valéry olhou para o relógio e pensou, de modo algo confuso:

– Se eu me encontrasse já no meu destino, este momento exacto seria o sítio onde eu chegaria.

Olhou à sua volta e disse:

– Porém, este não é ainda o meu destino.

Continuou, assim, a andar.

Mais tarde, contente, exclamou, ainda para si próprio:

– Ainda não cheguei, mas eu vou para outro sítio.

E como faltavam ainda cerca de 9 horas para chegar onde queria, o senhor Valéry continuou a andar, contente e feliz com os seus raciocínios, um pé a seguir ao outro, sempre ao mesmo ritmo, a andar em direcção ao seu destino.

– A mim ninguém me engana – murmurava o senhor Valéry, já a suar muito.

(O Senhor Valéry – Gonçalo M. Tavares)

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“Um homem, entretanto, tinha um bilhete de viagem para a própria alma,
mas desconhecia o local de embarque”

[ Gonçalo M. Tavares ]

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Ficamos assim a saber das novidades(?) literárias da terrinha. Gonçalo M. Tavares traz algo de antigo, e o veste de novo. Poderíamos assinalar que na escrita dele nada há de revolucionário, mas quem está em busca de revoluções literárias? Prezo a arte, não aquela técnica e gêneros novos(?) que esperam um dia venha a acontecer. Na verdade, a arte que mais interessa não é aquela que se vê nas folhas de um novo livro, mas aquela que acontece no imaginário de quem lê.

Abaixo colo a notícia; créditos e fonte ao fim da mesma.

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O escritor Gonçalo M. Tavares considerou, em S. Miguel de Seide, Famalicão, uma “honra” receber um prémio com o nome de Camilo Castelo Branco.

Gonçalo Tavares falava no Centro de Estudos Camilianos, na cerimónia de entrega do Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2006, de cinco mil euros, que conquistou com o texto “Água, Cão, Cavalo, Cabeça”.

O presidente da Câmara de Famalicão, Armindo Costa, considerou Gonçalo Tavares “um dos escritores mais originais da literatura portuguesa contemporânea”, sublinhando que “os críticos literários já o definem como um dos grandes poetas do século XXI”.

“Gonçalo Tavares é, acima de tudo, um homem da comunicação, da literatura, da escrita. Felicito-o pela sua obra literária, que divulga e dignifica a língua portuguesa, a língua de Camões, de Pessoa e de Camilo”, salientou Armindo Costa.

O autarca realçou que o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, patrocinado pela Câmara de Famalicão, é fruto de uma parceria com a Associação Portuguesa de Escritores (APE) que “já dura há 16 anos”.

Mário de Carvalho, Teresa Veiga, Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa, Maria Judite de Carvalho, Miguel Miranda, Luísa Costa Gomes, José Jorge Letria, José Eduardo Agualusa, José Viale Moutinho, António Mega Ferreira, Teolinda Gersão, Urbano Tavares Rodrigues, Manuel Jorge Marmelo e Paulo Kellerman foram os vencedores das primeiras 15 edições do prémio.

Nascido em 1970, Gonçalo M. Tavares é um dos escritores portugueses com maior ritmo de publicação de livros, desde Dezembro de 2001, data da sua primeira obra, “Livro da Dança”.

O autor já venceu também o Prémio Branquinho da Fonseca, da Fundação Calouste Gulbenkian e do jornal Expresso, com a obra “O Senhor Valéry”, o Prémio Revelação de Poesia da APE, com “Investigações Novalis”, e o Prémio Literário Ler Millenium/BCP 2004, com o romance “Jerusalém”.

FONTE: http://www.rtp.pt/index.php?article=290011&visual=16&rss=0

© 2007 LUSA – Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2007-07-09 19:10:01

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