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Posts Tagged ‘Fernando Pessoa’

“Nuvens… Hoje tenho consciência do céu, pois há dias em que não o olho mas sinto, vivendo na cidade e não na natureza que a inclui. Nuvens… São elas hoje a principal realidade, e preocupam-me como se o velar do céu fosse um dos grandes perigos de meu destino. Nuvens… Passam da barra para o Castelo, de Ocidente para Oriente, num tumulto disperso e despido, branco às vezes, se vão esfarrapadas na vanguarda de não sei o quê; meio-negro outras, se, mais lentas, tardam em ser varridas pelo vento audível; negras de um branco sujo, se, como se quisessem ficar, enegrecem mais da vinda que da sombra o que as ruas abrem de falso espaço entre as linhas fechadoras da casaria”.

(Fernando Pessoa – Livro do Desassossego – por Bernardo Soares)

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“Ser poeta não é uma ambição minha

É a minha maneira de estar sozinho”

[ Fernando Pessoa – O Guardador de Rebanhos ]

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Quando eu me sento à janela

P’los vidros qu’a neve embaça

Vejo a doce imagem d’elia

Quando passa… passa…. passa…

Lançou-me a mágoa seu véu:

Menos um ser n’este mundo

E mais um anjo no céu.

Quando eu me sento à janela

P’los vidros qu’a neve embaça

Julgo ver imagem dela

Que já não passa… não passa. (1)

5.5.1902

(1) – João Gaspar Simões aventa que esta poesia escrita por Fernando Pessoa, aos 13 anos, em Durban ou nos Açores por ocasião da viagem então feita à terceira, terá sido inspirada pela morte recente de sua meia-irmã Madalena. Vida e Obra de Fernando Pessoa, ed. Livraria Bertrand, Lisboa, 2ª edição. Sem data, p. 74

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“E afinal o que eu quero é fé e calma

E não ter essas sensações confusas

Deus que acabe com isto! Abra as eclusas

E basta de comédias na minh’alma.”

 

[Fernando Pessoa – Opiário]

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