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Posts Tagged ‘Poesia’

1022995_4O pai morreu

   e ele, que era duro, endureceu mais.

Informou da existência do cadáver

   como quem relembra um pormenor.

Amava o pai, mas o coração é assim

(a lei da sobrevivência):

   esconde-se quando o querem matar.

( 1Gonçalo M. Tavares, Editora Bertrand Brasil 2005)

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Ir-me-ei embora. E ficarão os pássaros
Cantando.
E ficará o meu jardim com sua árvore verde
E o seu poço branco.

Todas as tardes o céu será azul e plácido,
E tocarão, como esta tarde estão tocando,
Os sinos do campanário.

Morrerão os que me amaram
E a aldeia se renovará todos os anos.
E longe do bulício distinto, surdo, raro
Do domingo acabado,
Da diligência das cinco, das sestas do banho,
No recanto secreto de meu jardim florido e caiado
Meu espírito de hoje errará nostálgico…
E ir-me-ei embora, e serei outro, sem lar, sem árvore
Verde, sem poço branco,
Sem céu azul e plácido…
E os pássaros ficarão cantando.

[ Juan Ramón Jiménez ]

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“Ser poeta não é uma ambição minha

É a minha maneira de estar sozinho”

[ Fernando Pessoa – O Guardador de Rebanhos ]

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Quando eu me sento à janela

P’los vidros qu’a neve embaça

Vejo a doce imagem d’elia

Quando passa… passa…. passa…

Lançou-me a mágoa seu véu:

Menos um ser n’este mundo

E mais um anjo no céu.

Quando eu me sento à janela

P’los vidros qu’a neve embaça

Julgo ver imagem dela

Que já não passa… não passa. (1)

5.5.1902

(1) – João Gaspar Simões aventa que esta poesia escrita por Fernando Pessoa, aos 13 anos, em Durban ou nos Açores por ocasião da viagem então feita à terceira, terá sido inspirada pela morte recente de sua meia-irmã Madalena. Vida e Obra de Fernando Pessoa, ed. Livraria Bertrand, Lisboa, 2ª edição. Sem data, p. 74

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“E afinal o que eu quero é fé e calma

E não ter essas sensações confusas

Deus que acabe com isto! Abra as eclusas

E basta de comédias na minh’alma.”

 

[Fernando Pessoa – Opiário]

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